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22/12/2009

Yeda sobre o projeto da BM: adiar é um fator de menos alegria no Natal

Fonte: Zero Hora  |  Autor:
Publicado por: Vaz | Edição:  |  Foto:

A governadora Yeda Crusius comentou na tarde de hoje, em entrevista ao programa Gaúcha Repórter, o resultado da sessão extraordinária da Assembleia Legislativa, que rejeitou o polêmico projeto que prevê aumento da contribuição previdenciária da Brigada Militar (BM) para 11%. A proposição recebeu 51 votos contrários, obtendo unanimidade de votos.

Yeda fez uma referência ao fato do 14º salário proposto pelo governo ficar de fora do alcance dos servidores no próximo ano.

— Nós produzimos uma série de discussões durante três anos para valorizar o servidor público. Adiar isso é um fator de menos alegria no Natal que eles poderiam ter. Houve adiamento do ganho e da possibilidade dos servidores dizerem onde querem chegar — disse Yeda, que reforçou que todos os projetos apresentados até hoje pelo governo para o funcionalismo não retiram nenhum direito dos trabalhadores.

O recuo do governo ocorreu após pressões da categoria e de parlamentares. Não foram somente os deputados de oposição que defenderam a BM. Parlamentares de partidos da base aliada, entre eles Nelson Härter e Alexandre Postal, do PMDB, manifestaram posição contrária ao projeto.

Relatório paralelo

Yeda também comentou o relatório paralelo apresentado ontem pela deputada Stela Farias (PT), presidente da CPI da Corrupção. O documento pede o indiciamento por crime de improbidade administrativa de 32 pessoas, entre elas o relator da CPI, deputado Coffy Rodrigues (PSDB), e a própria governadora.

— Stela apenas deu continuidade ao uso político que ela fez desse instrumento importante que é uma CPI — criticou Yeda, que destacou que o relatório de Coffy foi irreparável ao não indiciar ninguém.

Eleições 2010

A governadora afirmou que ainda é cedo para falar se tentará a reeleição nas eleições de 2010, mas adiantou que nunca teve "medo de eleição":

— A gente se propôs a atingir metas importantes para educação e saúde. Espero mostrar quantas nós conseguimos completar, quantos nós superamos e explicar as que não conseguimos fazer. Nunca tive medo de eleição. É um período maravilhoso para expor para a população porque estamos pedindo voto. Não há uma definição ainda. É prematuro dizer quem é candidato porque não existe o quadro completo.


Projeto que aumenta contribuição previdenciária da BM para 11% é derrubado

Votação ocorreu após o líder do governo anunciar o acordo com os líderes de bancadas

O projeto que prevê aumento da contribuição previdenciária da Brigada Militar (BM) para 11%, foi rejeitado por 51 votos contrários, obtendo unanimidade de votos na sessão extraordinária de hoje, na Assembleia Legislativa.

A votação ocorreu após o líder do governo no Legislativo, deputado Pedro Westphalen (PP), anunciar o acordo com os líderes de bancadas para retirada dos outros três projetos referentes à segurança pública. Em seguida, o presidente encaminhou a votação em bloco de requerimentos de retirada do regime de urgência de 15 projetos de lei.

— Foi um acordo unânime atendendo os apelos da Brigada, da base e da oposição. Entendendo que poderíamos construir algo melhor, decidimos retirar. É uma vitória do povo gaúcho e da Brigada. Não houve derrota de ninguém, nos teríamos dois votos sobrando para vencer — garantiu Westphalen.

O recuo do governo veio em meio a pressões das galerias e manifestações contrárias à proposição. Não foram somente os deputados de oposição que partiram em defesa da BM. Parlamentares de partidos da chamada base aliada, como Nelson Härter e Alexandre Postal, do PMDB, manifestaram posição contrária ao projeto.

— A BM quer salário, governadora. Se a senhora quer segurança, forneça os meios. Voto contra este projeto e sou a favor da BM — disse Härter, referindo-se à governadora Yeda Crusius.

— Os projetos não estão maduros — afirmou Postal, tentando adiar a votação.

Os deputados Marquinho Lang (DEM), os petistas Ronaldo Zülke, Fabiano Pereira, Dionilso Marcon e Adão Villaverde, e o comunista Raul Carrion reforçaram o entendimento de que o projeto prejudica a BM.

— O RS está atento ao que acontece neste Plenário — lembrou Zülke.

— Nossa bancada garante três votos contrários a isso tudo que está acontecendo — assinalou o democrata Marquinho Lang.

Após o anúncio feito pelo líder governista, os encaminhamentos continuaram para comemorar a decisão do governo. Representantes da bancadas ocuparam a tribuna para expor suas posições.

— Concordamos com o acordo e vamos retirar estes projetos — afirmou o líder da bancada petista, deputado Elvino Bohn Gass.

Villaverde disse que prevaleceu o bom senso e o bom debate. A petista Marisa Formolo também ocupou a tribuna para apoiar o partido.

O líder da bancada trabalhista, deputado Adroaldo Loureiro (PDT), afirmou que o Parlamento vive uma "sessão histórica" e que os trabalhistas se mantiveram unidos. Ainda pelo PDT, pronunciaram-se os deputados Gilmar Sossela, Paulo Azeredo e Gerson Burmann. O parlamentar Luciano Azevedo reafirmou o compromisso do PPS em favor da BM.

— Esta é uma vitória da sociedade gaúcha — comemorou.

Líder da bancada do PSB, o deputado Miki Breier destacou a consciência política dos servidores que pressionaram.

— Essa é uma vitória das categorias — disse.

O deputado Cassiá Carpes (PTB) reforçou que agora o governo terá mais tempo para debater com a BM:

— O governo dialogou mal e não tinha a maioria. Iria perder de novo e arrumou uma alternativa para não perder. Agora terá janeiro para buscar o diálogo com as categorias. Se quer negociar, é o patrão que tem de começar. Ele começou mal.

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