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25/11/2009

Brigadianos pressionam Piratini

Fonte: ZH  |  Autor: PAULO GERMANO
Publicado por: Vaz | Edição:  |  Foto:

Milhares de PMs desafiram o governo e o próprio comando da Brigada Militar, na manhã de ontem. Eles ameaçaram iniciar uma greve caso o pacote encaminhado pela governadora Yeda Crusius, em tramitação na Assembleia, seja aprovado pelos deputados.

O conjunto de medidas propõe reajustes salariais, mas exige que a categoria contribua com mais dinheiro para a Previdência (veja quadro). Com o Teatro Dante Barone, no Palácio Farroupilha, inteiramente lotado, servidores fardados e à paisana promoveram uma tensa manifestação contra o comandante-geral da Brigada Militar, João Carlos Trindade, vaiaram deputados e, ao visitarem gabinetes, pediram a urgente derrubada dos projetos da governadora.

Pressionados pelos PMs, governistas já começaram a mudar o discurso. Quem antes defendia o regime de urgência dos projetos – o pacote seria votado até o dia 11 –, agora afirma que “é ótimo podermos discutir”, como é o caso do líder do Piratini na Assembleia, Pedro Westphalen (PP):

– O governo até já reconhece algumas distorções que precisam ser revistas. E ninguém faz um projeto para prejudicar uma categoria.

Os maiores descontentes com o pacote de Yeda são militares que ocupam postos intermediários na corporação, como sargentos, tenentes e capitães. É que os projetos da governadora, além de preverem maior contribuição de todos os militares à Previdência, destinam reajustes maiores para as classes mais elevadas (oficiais como major, tenente-coronel e coronel) e para os que ganham menos – os soldados recebem hoje o menor salário do país, de R$ 1.007, e passariam a receber R$ 1,2 mil.

– A Brigada Militar é uma só, o percentual de aumentos precisa ser linear. Yeda quer aumentar o abismo salarial entre os brigadianos – protesta o presidente da Associação dos Servidores de Nível Médio da BM, soldado Leonel Lucas.

Se a base governista da Assembleia começa a ceder à pressão, o comandante da BM – apontado pela Casa Civil como o condutor das negociações –, se mantém irredutível. Diz que as tratativas duraram mais de um ano e que, agora, acabaram.

– E quero tranquilizar a população: greve não vai ocorrer. É proibido por lei – disse o coronel, que não compareceu à reunião dos PMs.

– Não temos direito a greve, mas ninguém tem direito de negar um salário digno – rebateu Lucas.

Enquanto centenas de militares se aglomeravam às portas do Dante Barone para ouvir o que ocorria lá dentro, colegas brigadianos formavam um cordão de isolamento em frente ao Palácio Piratini. Um dos deputados que compareceram ao encontro, Nelson Marchezan Jr. (PSDB) foi o único que se arriscou a defender o pacote do Executivo:

– Compreendo que os reajustes possam ser maiores. Mas eu nunca vou votar contra um projeto que aumenta salários de quem ganha pouco.

Marchezan foi vaiado.



Bancadas defendem mudanças

Na Assembleia Legislativa, ninguém quer bater de frente com a Brigada – segunda maior categoria de servidores do Estado. Depois da ameaça de greve, na manhã de ontem, deputados de todas as bancadas passaram a defender alterações no pacote da governadora Yeda Crusius.

– Os sargentos, tenentes e outros militares certamente merecem ser contemplados. O projeto será melhorado, e o governo dará seu aval – disse o deputado João Fischer (PP).

Questionado sobre o aumento na contribuição previdenciária, Fischer seguia com um pé no Piratini.

– Não dá para contribuir com carne de pescoço e querer o filé no fim – disse o deputado, lembrando a aposentadoria integral dos militares.

A oposição aproveitou o momento para criticar a política de reajustes da governadora. Líder da bancada do PT, Elvino Bohn Gass repetia que o governo “deu com uma mão e tirou com a outra” ao propor um percentual maior para a Previdência.

Comentários
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